O VALOR DA ÉTICA.

by

No congresso nacional, cinco políticos conversavam em uma sala enquanto Flávia, a secretária, organizava alguns papéis. Falavam sobre muitas coisas, mas principalmente sobre alguns atos ilegais que cometiam. Flávia não gostava e nunca gostou do que ouviu. Sentia-se mal por pensar que todas essas coisas prejudicavam pessoas honestas que se esforçam pra ter pelo menos um pouco mais de dignidade.

Desde que começaram a pensar na possibilidade de estarem ameaçados, os políticos, tentavam comprar Flávia, com presentes caros e viagens, os quais ela recusava sempre.

Ela chegou à conclusão de que se continuasse sem falar nada, de certa forma, estaria compactuando com eles. Conversou com seus familiares e advogados para receber alguns conselhos. Flávia era casada, tinha um filho de um ano e levava uma vida normal, mas isso mudaria.

Uma semana se passou e ela foi à polícia. Contou tudo o que sabia; mostrou notas fiscais, gravações, papéis, enfim, todas as provas que tinha, até testemunhas. Disse também sobre os presentes que lhe ofereciam.

Duas horas depois, a mídia toda já sabia do caso. Estava em todos os sites, telejornais, revistas, rádio, imprensa internacional. Flávia se questionava sobre sua atitude, mas sabia que apesar de tudo, foi muito correta.

O congresso estava lotado de carros dos principais canais, jornalistas, a população revoltada, todos atrás dos cinco políticos corruptos. Quando eles saíram pelas portas do congresso, todos foram pra cima deles, querendo alguma palavra, alguma explicação para aquela denúncia, mas eles não estavam entendendo nada, não sabiam do que se tratava. Até que seus seguranças chegaram para protegê-los de todos aqueles jornalistas loucos por alguma resposta e um deles explicou-lhes o que acontecia.

– Todos descobriram o desvio de verbas!

Quando eles ouviram isso, não se agüentavam de tanta raiva. Cada um entrou no seu carro rapidamente e foram embora. A situação para eles estava péssima, a população jogava pedras e ovos em seus carros.

À noite, se encontraram e conversaram:

– Ela tem muitas provas sobre a gente, vai ser difícil se livrar da verdade, mas nós podemos dar um jeito, eu tenho uns amigos ligados à justiça, ele pode nos ajudar.

– È, eu ouvi dizer que ela entregou notas fiscais, gravações…

– Eu tenho uma idéia para resolver – disse um dos políticos, muito empenhado na possível solução.

Então ele contou sua idéia e passaram horas planejando como fariam e tudo mais.

No outro dia, às 7 horas da manhã, Flávia estava levando seu filho, Felipe, para a creche. Ele tinha apenas um ano, não estava na idade de ir para a escola. Ela entregou o garoto para a professora e foi direto para o congresso, sem saber com que cara chegar, sem saber se eles iriam ou não para o trabalho. Muitas perguntas rodeavam sua cabeça, mas foi certa de que nenhum deles mudaria o que ele pensava, nem o que ela fez.

Ela passou o dia na expectativa deles chegarem, com aquele frio na barriga, mas nada. Nenhum deles teve coragem de aparecer no trabalho. Então, foi buscar Felipe na creche, mas quando chegou, uma surpresa:

– Mas, mãe, a senhora ligou pedindo para liberar o Felipe que o pai estava vindo buscá-lo!

– Como assim? Eu não liguei para ninguém hoje e vocês sabem muito bem que o pai dele está em uma viagem de trabalho. Vocês são uns irresponsáveis. O Felipe não volta mais para essa escola. O que eu vou fazer agora?

– Calma, mãe, foi um erro da escola admito, mas a senhora precisa se controlar, vamos avisar a polícia imediatamente.

Assim, Flávia foi se acalmando aos poucos, voltando a seu juízo perfeito, tudo tornou-se óbvio. Os políticos seqüestraram seu filho, era uma chantagem. Como não havia pensado nisso antes?

Ela voltou pra casa desesperada, tomou um banho e foi para a delegacia, eles ainda não tinham nenhuma notícia. Após muito tempo, foi aconselhada a ir embora , para descansar e disseram que ligariam se soubessem de algo.

clip_image002

Flávia, ainda que receosa, voltou e ficou aguardando impaciente, algum telefonema. Na maioria das vezes, ela corria, mas era algum parente prestando solidariedade. Flávia se deitou no sofá e acabou pegando no sono. No meio da madrugada, passavam de duas horas, tocou seu celular. O número era restrito e ela tinha esperança de ser da policia. Atendeu prontamente e ouviu uma voz bem grossa, com um choro ao fundo. Começou a se desesperar e a gritar muito. Quando disseram:

– Eu tô com o seu filho, se você não retirar a queixa, talvez você não volte a vê-lo, junte-se a nós e será melhor para todos.

Um silêncio. O pior aconteceria? Flávia temia e não sabia o que fazer : seu filho ou seus valores morais? Escolha difícil, porém quase óbvia. Ela era mãe.

Sem hesitar, pegou o carro e foi à delegacia. Os policiais tentavam acalmá-la e disseram que seria possível rastrear o número chamado, pois o celular já estava com a linha grampeada por eles. Na mesma hora, identificaram e entraram em contato com a operadora, que, via satélite, localizou o aparelho. Saíram em dois carros, com armamento pesado e especialistas em libertar vítimas.

O lugar em que se aproximavam tinha poucas luzes, ninguém ficava na rua, as casas estavam todas trancadas, nem uma luz de uma janela se via. Para procurarem o número da casa naquela escuridão foi muito difícil. Mas, após achar, perceberam que o muro entre o cativeiro e a casa do vizinho era pequeno. Então, tocaram no vizinho que obviamente permitiu que a polícia entrasse e pulasse o muro.

Ao chegarem dentro da casa, viram um homem muito apavorado com tudo aquilo. Enquanto uns cuidavam dele, outros revistaram a casa e nada. Felipe não estava ali. E se em algum momento estivera, não era naquele instante.

O homem, como estava muito apavorado e nervoso, acabou deixando escapar o lugar em que Felipe se encontrava naquele minuto. Então, a polícia saiu em disparada para a casa onde, supostamente, o filho de Flávia estaria.

Quando chegaram, começaram a ação para retirada de Felipe e finalmente conseguiram pegar o filho da secretária. O seqüestrador acabou se entregando e dizendo o nome de todos que ajudaram no rapto da criança. Logo se chegou aos tais políticos, que foram presos e indiciados por mais de um crime. Foram julgados culpados, e ficarão presos por muito tempo.

clip_image004

Flávia, mais do que nunca se sentia uma cidadã, que zela pelo seu país e honra sua ética.

Isabella Marinelli

Natalia Manzo

Anúncios

Uma resposta to “O VALOR DA ÉTICA.”

  1. Marlene Says:

    Muito bom esse texto, bjsssss

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: